Curto e objetivo: uma definição básica do racismo no novo longa do Spike Lee

Na última quinta teve a estréia do filme novo do Spike Lee, o Infiltrados na Klan (Blackkklansman) e claro que foi um filme imprescíndivel pra eu assistir, já que ando em uma busca profunda sobre produção intelectual e cultural negra. Primeiro, porque – além de gostar do diretor – ele é uma das poucas referências a que temos “acesso permitido” e segundo por, simplesmente, me agradar a estética visual e narrativa serem característicos de filmes de super-heróis.

Eu queria, mesmo,  era ter visto a sessão durante a Mostra de Cinema mas não consegui entradas. Então, ver no primeiro dia em que o filme entrou no circuito comercial foi de grande satisfação, ainda que sob o luto de Stan Lee, o que me atesta que o corpo vai mas o legado permanece.

Bem, sobre o filme, aquele resumão rápido só pra contextualizar meu raciocínio: Anos 60, auge da segregação racial nos EUA – Klu Klux Klan vs. Panteras Negras – um policial negro decide investigar a seita ultra radical de superioridade branca do Sul dos Estados Unidos para acabar com a disseminação dos crimes de ódio. Até aí, ok. Pode ser ficção ou não. Na inscrição inicial do filme diz que “é baseado numas histórias aí” logo, fica ao nosso critério mas aqui, vou defender que é verdade, sim.

A tal Hollywood é uma indústria branca e, consequentemente, produz obras que retratam tipicamente os costumes e bairros brancos da América. Também tem aquele ditado que se a mentira é contada várias vezes, ela se torna verdade (lembremos que estamos falando de cinema > ficção > subterfúgios) e, uma vez que certas histórias não se  integram ao caldeirão, elas viram no máximo lendas.

Continuando…

O filme apresenta várias referências a outros filmes de artistas negros da blaxploitation, que foram produções marginais que visaram a inserção da problemática econômica e social e de reconhecimento da cultura afro – americana, com vistas para o continente africano dentro do mercado cinematográfico. Além disso, a narrativa se apoia em acontecimentos atuais, em torno da eleição de Donald Trump, nessa questão racial. Por fim, e mais intrigante, é a abordagem de que qualquer esforço no combate a opressão e à violência gratuita resulta apenas em alguma promoção pessoal e não na erradicação do problema.

Acho que têm outros pontos bem relevantes pra ser abordado sobre esse filme mas aí, acho que é discurso de senso comum e não precisa de contextualização deste autor. Entretanto, a recomendação é totalmente positiva, inclusive, pra quem quer passar uma boa raiva com as injustiças apontadas no longa.

 

 

 

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