A força das meninas no rock

Tá aí um assunto que sempre quis desenvolver mas me faltava um gancho: “o rock dos meninos” x “rock das meninas”. Porém, para escrever esse artigo com um mínimo de segurança, precisei de um tempo para entender o contexto da indústria em que essas garotas estão inseridas e, portanto, o atraso.

Nos quase 20 anos que faço parte dessa sub-cultura, sempre fiquei impressionado com a presença femininas nas bandas, seja nos vocais conduzindo a parada toda ou integrando em um grupo totalmente delas. Até hoje, acho que a participação das mulheres dá uma sutileza na sonoridade, mesmo em um gênero da pesada. Cria um estilo mais próprio (do próprio estilo) que o convencional, eu diria.

Querem exemplos do que eu estou falando? As Mercenárias, Breeders, Band of Susans, L7, Thee Headcoatees, Liz Phair, Space Rave, Elastica, Courtney Barnett, Blondie, Siouxsie and the Banshees, X-Ray Spex, Warpaint, Xmal Deutschland, PJ Harvey, Portishead, Drugstore, Goldfrapp, Medicine, Hole, etc.

Em contrapartida, há a vertente com  sonoridade e postura mais grotescos, que se assemelha a selvageria comum ao universo masculino mas, por se tratar de mulheres, surge aquele preconceito básico por conta da estrutura que nos privilegia. No entanto, conversar com mulheres muito boas no que fazem pela música, me ajuda muito a desconstruir esse paradigma que carreguei ao longo dos anos e, desta forma,  preferi conduzir o texto pela não segregação.

Uma delas, a Debora, me orientou bem nessa questão. Ela afirma que o cenário do rock ainda é muito machista e que as mulheres precisam se autoafirmar o tempo todo para terem o reconhecimento merecido. E mandou seu recado em alto e bom tom: “Parem de falar “música de menina” como algo pejorativo. E mulher não é enfeite de palco, antes de julgar se as garotas da banda são gostosas ou não, ouçam o som como se fosse uma banda de caras qualquer. Música é pra todo mundo, e o rock também.”

Também temos a Deb que já integrou várias outras bandas do circuito underground. Durante sua trajetória, ela aponta uma melhora no cenário no que diz respeito à bandas de garotas. “Hoje em dia tem muitas meninas legais tocando, né? Já melhorou bastante. Mas como nesse meio a maioria são meninos, eu sinto uma desconfiança quando eu falo que canto em banda… que o som é mais alternativo. Se já me conhecem, essa desconfiança não existe. Mas se não, já imaginam que eu canto em um banda emo ou em algo mais bobinho.”

Entretanto, a realidade parece estar mais a favor para elas (o que não significa que não há resistência) pois hoje, temos mais conhecimento de mulheres que estão a frente do ativismo pela música. A própria Debora, comanda a festa Gimme Danger na noite paulistana e ainda tem o programa de rádio Debbie Records, onde coloca pra fritar sua coleção de vinis; a Fabiana que comanda o principal evento de mercado da música – SIM São Paulo – e também é a owner da agência Inker; a Mariângela com o selo Distúrbio Feminino e muitas outras arrebentando por aí.

Contudo, esse é o meu reconhecimento pelo trabalho dessas garotas e, mesmo com possíveis falhas (corrijam-me quando acontecer), atesto minha colaboração para a causa delas.

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