Da série “Sensações” com Body/Head

#3

Sim, fechei a maratona com essa apresentação que, por pouco, quase deixei passar e explico o motivo: 2016 tá sendo um ano de muitos eventos para mim e estou tendo que selecionar a dedo, já que o meu bolso e meu corpo não comporta tantos acontecimentos seguidos. Além do mais, nunca tive tanto interesse musical na Kim Gordon ( AINDA sendo performance) e, também, ela não me cativa tanto como pessoa. Entretanto, se eu não tivesse ido, meu atestado de bom ouvinte musical seria reduzido ao saldo negativo.

A apresentação aconteceu no sábado (22) no teatro do Sesc Pinheiros e teve quase todas as cadeiras cheias. Logo na entrada, tinha uma aglomeração de pessoas comercializando ou trocando os ingressos. Sucesso absoluto mas acho que muitas delas estavam mais conectadas a imagem da Kim com o Sonic Youth do que com o trabalho performático –  muito ligado as artes visuais – que ela estaria prestes a mostrar. Eu sabia o que ia ver…só não sabia se ia digerir bem.

Ao entrar no palco, ela foi muito aplaudida. Deu pra perceber que ela estava a vontade com aquela recepção e que tudo sairia bem (como saiu). Ela e seu parceiro Bill Nace eram acompanhado de projeções caseiras de shows de bandas punks e achei que isso fosse um diálogo do tipo “aqui, vocês estão em nosso território”. Um amigo que estava comigo no show, era mais entendido das bandas hardcore e punk e tentava reconhecer os integrantes na gravação e, por causa disso, minha atenção ficou dividida entre o show e a projeção.

Bem, a garota da banda era quem conduzia aquela parafernália sonora toda: Guitarras altas, dissonâncias e distorções, reverbs. Tanto que por vários momentos, o acompanhante não olhava para a platéia e sim para a “showwoman” da festa…muito atento a cada expressão emitida através das notas para poder música-las com sua segunda guitarra. E a projeção só tornou tudo mais caótico e sujo, como nos princípios do punk rock.

Após todas essas observações, eis que vem o soco no estômago e na cara (…por isso, disse lá em cima que tinha que ter visto essa apresentação). A primeira vez que ouvi o Sonic Youth, em 1996, fiquei hipnotizado por aquelas guitarras estranhas…tortas; Aquele barulho ensurdecedor e, também, porque não era uma banda de quem só vestia roupa preta e era cabeludo. Aquele momento definiu tudo o que faço e muito do que sou hoje. Aí, lá no concerto, descubro que tudo isso que me cativou na banda há 20 anos, é obra dela!!!!! E não do Thurston ou de Lee, que sempre creditei mais…E ainda, o título da biografia dela faz todo o sentido.

Só tenho a dizer que nesses anos todos de fã da banda, com todos os discos oficiais na minha coleção e mais alguns dos trabalhos solos dos outros membros, de ter assistido há alguns shows de ambos, de ter conhecido o Lee…só tenho a dizer que essa foi a única vez que tive o contato com a fonte que gerou todo esse legado. Apenas acho que ela poderia se conectar mais com o público e ter assinado o meu exemplar da biografia dela. Já que não rolou, espero que ela curta alguma foto minha no Instagram. Pelo menos.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s