Arquivo mensal: outubro 2016

Da série “Sensações”com Shabazz Palaces

#2

Na sexta-feira (21), depois da experiência maravilhosa com o Deerhoof, tive o privilégio de ver a segunda atração da maratona que propuz fazer. Dessa vez, a experiência seria mais cheia de batidas e mais “gangsta” se assim posso dizer.

O Shabazz Palaces é a repaginação do Diggable Planets, cheio de experimentações e influências de músicas africanas. Ele foi mais um dos eventos promovidos pelo selo Balaclava em parceria com o SESC.

Bem, como eu estava muito interessado em assistí-los, qualquer detalhe ali me surpreenderia. Ishmael Butler subiu ao palco rimando, cabisbaixo e coberto por uma túnica de boxeador. Assim, impôs a presença do duo e animou o público que estava ali.

Tendai Maraire – o multi instrumentista – acompanhava os vocais, conduzindo as batidas eletrônicas, os atabaques, o agogô e os compassos rítmicos do seu parceiro, lembrando a época dos bailes e dos passinhos, típico da década de 90.

Sobre o setlist, não tem muito o que dizer pois a dupla tem apenas dois discos oficiais (ambos lançados pela gravadora Sub Pop) e alguns EPs e Singles paralelos e, também, não foi uma banda que deu tempo de digerir e virar fã pois eles têm uma proposta menos comercial. Entretanto, todas as pessoas ali presentes dançaram, sem parar, do começo ao fim da apresentação.

Um adendo antes da conclusão final: Esse show representou bem o retorno das raízes do hip hop, que foi no padrão “sound system”.  O conceito de apresentação se funde à intervenção, com improvisações sonoras e com mensagens políticas claramente posicionadas.

Outro aspecto é que, devaneio ou não, mas o momento musical que estamos vivendo está  cada vez mais fundido com o stylish e, desta forma, a aparência dos artistas estava digna de alguma campanha publicitária do mercado da moda.

Contudo, independente do hip hop estar (re)tomando o cenário pela porta da frente, em festas descoladas e elitistas, o importante é enaltecer suas origens e isso o Shabazz Palaces cumpriu.

Confiram o clipe da canção que julgo minha favorita! Tocaram no Bis…

 

 

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Da série “Sensações” com Deerhoof

#1

As unidades do SESC agitaram a segunda quinzena de Outubro com três atrações imperdíveis da cena indie (…na verdade quatro mas uma delas colidiu com uma das apresentações que descreverei aqui): Deerhoof, Shabazz Palaces e Body/Head. Elas ocorreram seguidamente na ordem em que mencionei, nos dias 20, 21 e 22.

A maratona começou na quinta (20). Seria a única apresentação em São Paulo da Deerhoof e não poderia perder a chance de ver aquela sonoridade estranha e, ao mesmo tempo, contagiante dos quatros integrantes Satomi Matsuzaki, Greg Saunier, Ed Rodriguez e John Dieterich.

Antes do show começar, eles montaram um “merch” com camisetas e lps. Os próprios integrantes comercializavam os produtos e conversavam a vontade com o público sobre os discos, sobre bandas…qualquer coisa. Os discos custavam R$ 60 reais, cds R$ 20. As camisetas, eu não me recordo. Só sei que queria muito o disco novo “The Magic” mas não consegui adquirir porque eu sou muito descuidado para andar com notas de dinheiro na carteira. Se arrependimento matasse…

Bem, pra eu não me remoer nos sentimentos, vamos para o show. Quando os anunciaram para a platéia, cheguei mesmo a pensar que eles iriam direto da barraquinha para o palco, mas não foi assim que aconteceu. Rolou uma pequena espera para que eles pudessem se montar com umas roupa mais “geek”, apropriada para a ocasião.

Tocaram muitas faixas da disco recém-lançado. Os instrumentos da Satomi (baixo) e do Ed (guitarra) pareciam brinquedos – com certeza, era assim que eles os tratavam – e se deleitavam com uma desconstrução rítmica das músicas somadas aos minimalismos das notas tocadas de cada integrante. O baterista Greg Saunier estava tão feliz de estar ali que se empenhou ao máximo na sua função e, literalmente, suou a camisa.

Em alguns momentos do show rolava aquela interação com o público. Saunier fez uma interrupção, creio que forçada, para descansar um pouco principalmente do calor e falou  sobre a situação do Brasil, o calor e a realização do sonho de 22 anos anos de tocar no país. Matsuzaki na canção “Come See The Duck” perguntou ao público a tradução de “duck” para o português e ficava falando pra gente repetir o refrão junto com eles até que aprendêssemos corretamente pra, depois, usar a palavra “pato” no lugar. Isso sem contar as dancinhas esquisitíssimas dela. Uma mistura das performances de Devo com Beck, naquele clipe de “Flavor” do Jon Spencer. Muito divertido.

Confiram e vejam se não é contagiante!?

https://www.youtube.com/watch?v=d9JjXuz6Djc