A relação conflituosa entre Bowie e eu

Não foi fácil começar a semana com a notícia de que David Bowie veio a falecer de câncer. (Claro que não!) Até porque, a vastidão de seu legado agradou a todos, de um jeito ou de outro, pelas suas atuações no cinema, pelos seus exóticos figurinos, pelas suas várias personalidades, pelas suas contribuições/colaborações com artistas de várias décadas, pelas concepções de cada álbum, etc, etc, etc…

Eu, mesmo, adoro qualquer coisa que ele fez que não fosse música. Não que acho sua técnica ruim mas nunca consegui acompanhar suas viagens sonoras. Nunca soube onde começara e onde terminaria. Nunca entendi tamanho assédio dos fãs e, ainda por cima, alguns discos da fase setentista dele – que o pessoal mais venera – acho que o Elton John fez melhor.

Acontece que, antes dele morrer, ele vai e me lança o tal do Blackstar. Eu já havia ouvido os singles e assistido aos videoclipes de algumas das faixas e aquilo me conectou com toda a sua complexidade artística. O filme de Blackstar, por exemplo, me imerge numa atmosfera pós apocalíptica que creio ser comum a todos primeiro pelas vários conflitos civis que ocorrem pelo mundo e segundo pelos filmes temáticos – e sucesso de bilheteria – tipo Star Wars ou Mad Max. Essa transitoriedade entre uma percepção mais erudita e pop é uma baita sacação de mestre.

Outra coisa que me chamou a atenção com esse disco foi a sua influência assumida pelo trabalho de Kendrick Lammar e Kanye West. Pode ser que tudo isso seja coincidência por eu estar acompanhando bastante esses dois caras mas acho que há uma sinergia enorme no contexto abordado aqui: o rap com suas críticas violentas as opressões + o futuro incerto de Bowie no disco novo = a reflexão sobre os rumos da humanidade.

Os fãs, muito provavelmente, me falariam que era exatamente isso que ele tenha feito em quase todos os álbuns e, acredito mesmo. Entretanto, nunca me explicaram isso com muita objetividade. Além do mais, não consigo formar conceitos pautados em questões de vida extraterrestre ou sobre alter-egos de cada ser humano. Acho muito levianos. Mas o disco novo, ele vai mais direto ao ponto, fazendo quase um apelo a essa problemática que estamos vivenciando.

E depois de quase 15 anos estudando o legado, incansavelmente, pra entender o porque que sua obra é tão importante, finalmente encontro o interesse necessário para revisitar todos os seus discos e deixar fruir suas composições em meu corpo, como o ar.

Muita paz, Bowie.

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