Novo do Tarantino é legal mas nem tanto

Assisti ao “Os Oito Odiados” (The Hateful Eight) e o achei curioso, apesar de sentir que esse não é o melhor filme do Quentin Tarantino. Embora ele seja um dos meus diretores preferidos e de ter vários/ todos os filmes dele, acho que no seu oitavo longa faltou capricho no desenrolar da história.

Compreendo que tal descaso, talvez, seja pela pressão do tempo para a entrega do produto, já que o referido filme tenha sido um plano B ao roteiro inicial que fora roubado mas, ao menos, poderia ter sido pensado o encurtamento do tempo, economizando as piadinhas da porta ou a massificação dos diálogos ofensivos.

Ok! Em alguns artigos que foram publicados na semana anterior, foi justificado que os diálogos racistas e sexistas no filme são reflexos do republicanismo – de forte representatividade até os dias atuais – que o diretor faz questão de explorar com muito sensacionalismo. Mas sabem aquele dito popular que diz que “tudo que é demais, estraga”? Pois é, desnecessário o excesso.

O enredo é pouco conciso por conta dos vários ganchos soltos. Os dialetos são muito contemporâneos para um filme de época (mesmo que moderna), as trajetórias dos oito personagens não se cruzam direito e faz a gente perder o fio da meada da narrativa. Entretanto, ele acertou na trilha sonora. Desta vez, parece que não deu tantos pitacos no trabalho do querido Enio Morricone como o fez na composição de Django, que quase o fez pedir demissão.

Falando das coisas boas, agora: Tarantino é Tarantino! A maneira como ele consegue manter essa estética de histórias em quadrinhos em seus filmes é digno de deslocamento até o cinema, de uns gastos extras de memória de HD, de MB pra download ou de uns reais na compra do dvd pirata. Além do mais, tem o fato do material ter sido rodado em Panavision 70mm que dá um realce na ambientação kitsch. A reviravolta dos personagens oprimidos continua forte e empolgante. Na sala (cheia para o primeiro dia do ano novo), tiveram várias ovações a respeito da prisioneira. No geral, recomendo a quem me perguntar.

Agora uma percepção pessoal: o fato da circulação da notícia de ele fazer apenas mais dois filmes, antes de encerrar sua carreira, e de Os Oito Odiados se apropriar evidentemente de recursos de diálogo muito comuns em séries televisivas – onde se quebra um discurso tenso com alguma passagem de humor – e também pelo fato do diretor ter escrito uma temporada para CSI, penso que ele venha a migrar seu talento das telonas para as telinhas. Afinal de contas, o processo de produção é mais simples e barato e tem sido a mais nova moda nos estúdios de Hollywood.

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