Arquivo mensal: abril 2014

Viajando com a música criativa

Quem assiste ao show da banda Rumbo Reverso, fica com a sensação de estar em transe. A música ocupa o espaço, entra nos ouvidos e ela vai perambulando por todo o corpo, promovendo a interação entre a psique humana e o som.

Pra começar, a apresentação impressiona por conta das várias parafernálias espalhadas ao redor do duo Leandro Archela e Cacá Amaral e pela agilidade deles para tocarem todos os instrumentos. São fios, sintetizadores, bateria, gaita, teclado e guitarras tudo inconscientemente organizado.

Os integrantes – que são amigos desde a infância – seguem com a apresentação cheia de improvisos, do começo ao final. Não há paradas. O ponto de partida surge de uma nota musical, do feeling com o espaço em que estão se apresentando, da receptividade das pessoas com a música e por aí, vai. Quando perguntei como procedia a musicalidade da dupla, eles respondem que “a abertura com a música e a afinidade entre eles faz com que tudo vá acontecendo por si só.” Praticamente, uma embolada, só que de sons instrumentais.

As referências também partem de outras expressões artísticas e culturais. Eles afirmam que “a música como uma experiência sensorial, resulta não apenas da influência da própria música mas também de artes visuais e literatura.”  Sim, cada composição, expressa o contexto dos acontecimentos ao redor da frieza das relações interpessoais, da individualidade excessiva, da solidão, da angústia ou do medo, por exemplo.

Sobre as jam sessions fiquei curioso em saber onde bandas desse conceito se apresentam, já que seu estilo não é muito convencional para as casas noturnas paulistas: “Realmente, não é comum a gente tocar na noite, até porque a gente tem família. Mas também, o ritmo frenético da galera impede dela se acomodar e entrar no clima do show. Então preferimos tocar em lugares ou eventos com propostas mais culturais. As pessoas desse meio dão mais crédito para nosso trabalho.”

Eles lançaram um registro autointitulado, em versão LP, custeado por eles mesmo. De acordo com Leandro “o disco propõe que o ouvinte aprecie a música tocada, enquanto analisa todo o conjunto do trabalho (em especial, a arte da capa).” Entretanto, eles o disponibilizaram via streaming o disco no endereço abaixo. Um belo trabalho.

 

https://soundcloud.com/rumbo-reverso    

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‘Indies’ brasileiros homenageiam banda de Lou Barlow em coletânea

Contando as horas para a primeira passagem da banda Sebadoh em São Paulo e já começa os preparativos para o show. Entre o resgate de todos os discos da banda para treinar canção por canção e fazer coro junto ao espetáculo, surge aquele assunto sobre as possíveis músicas que tocarão no show e a agenda de encontros da galera.

Entre um bate papo e outro, me deram a dica do Tributoh, uma coletânea com releituras de bandas indies nacionais como a Zeferina Bomba, a Loomer (que também está em turnê por São Paulo), a Single Parents, entre outras para as principais composições da grupo. As versões não estão muito lo-fi como as originais e sim mais distorcidas e barulhentas, a la shoegaze.

O projeto data de 2006 mas, com a atual efervescência das apresentações por aqui, nada mais justo lançar essa singela homenagem para Lou Barlow – que por sinal autorizou tal realização – as vésperas do show. Além do mais, o material pode servir de referência para eles saberem mais sobre os fãs brasileiros e nossa cena independente.

A promoção ficou por conta da Balaclava Records, gravadora a qual entre os majors está o guitarrista da Single Parents, Fernando Dotta e, sendo assim, não ficou de fora algumas das bandas do selo. Bem, chega de blá blá blá e ouça lá o streaming no site do projeto. Vale a pena.

www.tributoh.com

Para provar que se está com a bola toda

Finalmente é chegado o tão esperado final de semana do Lollapalooza e, nesta edição, já se pode prever que terá muita gente bonita e exótica registrando a presença através das redes sociais pelos celulares, vários blogueiros de moda fotografando os melhores looks, alguns beberrões estragando a festa dos outros, furtos, muita pegação…enfim, nada muito diferente do que acontece em grandes festivais do país e do mundo.

Nesses casos, um preparo físico, emotivo e espiritual são requisitados para suportar as “intempéries” e assim assistirmos ao show favorito sem perder o equilíbrio e a paciência.

Entretanto, com a alta demanda de eventos desse porte que vem ocorrendo aqui desde os anos 2000, a saúde e o bem estar podem se tornar uma oportunidade de novos negócios. Nos Estados Unidos já começam a surgir alguns profissionais que preparam o público com dietas e treinos que garantem não só resistência corporal mas, também, a boa aparência para o Coachella, como reporta o portal Stereogum.

No Brasil, a moda ainda não pegou mas já existe a preocupação com a saúde pública para essas ocasiões. No blog do Ministério do Saúde há uma publicação que, com apoio de relatos de alguns adeptos, oferece algumas dicas de sobrevivência para as longas horas de duração desses espetáculos.

Enfim, informações valiosas para quem pagou uma fortuna nos ingressos e vai ficar mais de duas horas no trânsito para chegar ao destino e sofrer com as filas imensas para comprar água ou ir ao banheiro. Nos vemos lá.