Além do recheio da bolacha…

Os lojistas são categóricos ao afirmarem que ao adquirir um disco de vinil, não se tem apenas a música mas todo o conjunto da obra.  É verdade! O resultado final é a soma, de modo simplista, do processo de impressão do formato, da arte gráfica e do acabamento, e cada uma destas etapas passam por uma série de ações minimalistas que o transforma em produto de valor artístico.
O design da capa é fundamental para estabelecer um contato imediato com o consumidor, que vê nas lojas de discos a oportunidade de garimpar alguma novidade. Assim os tons das cores, o tipo de montagem das figuras utilizadas ou o ângulo da fotografia lhe sugere pistas sobre a identidade da banda e do que o grupo apresentará entre as várias linhas de cada faixa. Além disso, ainda há o fato da ausência de uma “barreira” (como as caixinhas de acrílico) e o tamanho da imagem, permitindo tocarmos o objeto e ampliar nosso campo de percepção visual sobre os detalhes.
Outra curiosidade é que tal trabalho revela aptidões “desconhecidas” de alguns músicos como é o caso do ex-mutante Arnaldo Baptista que reproduzira em seu trabalho solo “Disco Voador” uma de suas telas ou de Jorge du Peixe que estampara em “Combat Samba” da Mundo Livre S/A e “Fome de Tudo” do grupo o qual faz parte, o Nação Zumbi.
A valorização e a aceitação do público por esse processo têm levado alguns entusiastas – inclusive galeristas – a disseminar essa cultura. Em Londres, fora fundada em 2005 a galeria Art Vinyl, que conta com um espaço expositivo que abriga capas de bandas que vão desde a clássica Jimmi Hendrix Experience até as mais atuais (entre elas, a Muse). Com o intuito de promover a ascensão dos profissionais envolvidos, no mesmo ano fora criado o Prêmio Art Vinyl, onde os curadores selecionam e expõem anualmente os melhores trabalhos realizados da atualidade. Ela também comercializa molduras apropriadas para o enquadramento e são bem arrojadas e modernas, perfeitos para enfeitar algum cômodo de casa ou escritório localizado em algum apartamento.

Concepção dos trabalhos 

Na maioria das vezes, começa com a afinidade do estilo de som que é produzido. O cara dá uma idéia que, geralmente, se baseia em uma ideologia ou então em algum modelo já visto e juntos a gente vai construindo a arte do disco”, afirma Flávio Bá que integra a cena hardcore paulistana. Ele, que além de baixista nas bandas Fututo/B.U.S.H e Ordinária Hit, é  designer de profissão e desenvolveu capas para a maioria das bandas  do meio, entre elas o Dead Fish. Ele diz que as referências são diversas, que vão desde revistas ou sites até obras de artes.  Entretanto, para o processo de capas de disco, sua influência maior é a do também designer Art Chantry.
Contudo, adverte: “A arte final nem sempre é conceitual. Muitas vezes, o trabalho tem mais valor estético já que geralmente somos contratados para fazer uma capa bonita. Isso rola bastante em gravadora grande.

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